Dicas para seres humanos. (Segunda Parte)



   Tá, o post passado ficou rabugento, verdadeiro, porém rabugento. Então, esse segundo é mais um complemento do anterior, um convite pra você parar um instante e sair um pouco de si mesmo.


Segunda Dica:  Ponha na cabeça, de uma vez por todas, que você não é o centro de tudo.

   O mal deste século é o egoísmo. Todo mundo acha que o mundo funciona para si mesmo. Seu discurso é o melhor, seu gosto musical é inquestionável, suas manias, seus desejos, suas expectativas, seu passado, seu futuro... Se a fila demora é só pra te atrasar, se escuta algum cochicho, estão falando de você. Você se acha importante demais pra ser barrado na porta de segurança do banco ou  no detector de metais do aeroporto; sua arte é mais bonita, a chuva veio só pra te molhar... E todos te invejam; e todos te amam; e todos te odeiam. 

   Nas Redes Sociais, é uma autopromoção descontrolada, pessoal tem mania de perseguição misturada a uma mágoa desmedida de quem não dá a mínima pra suas lamúrias. É aquele tipinho que te ofende, você se chateia, daí ele fica irritado porque você tá chateada. Que audácia sua, afinal ele(a) não fez nada demais! Nunca fazem. O contrário também se aplica:  às vezes você escreve alguma piada, fala alguma coisa, só pra descontrair, daí sempre tem um neurótico achando que aquilo foi indireta.

   Cara, apenas pare por um instante. Tente imaginar que você não está aqui. Que você, sei lá, tá em coma, dormindo, que morreu, que nunca chegou a nascer... Pois bem, a vida continua, o mundo não para de girar quando você fecha os olhos. Por aí, mundo afora, tem gente que sabe que existem outras pessoas diferentes coexistindo e respeitam os outros. Ter essa consciência, hoje em dia, é quase uma dádiva, um achado... Podem conferir. Se você ainda não é assim: Parabéns e não se deixe contaminar, porque egocentrismo é uma praga, que aliena, que deixa todo mundo burro e agressivo, algo mais ou menos na linha dos zumbis do Walking Dead.

Dicas para seres humanos. (Primeira Parte)

   Longe de mim querer saber de tudo (mentira, quanto mais eu souber sobre tudo melhor) Mas, pensei em três dicas essenciais para indivíduos coexistirem nesse planeta, sem serem contaminados pelo vírus da mediocridade. Ficou um post enorme, dividido em três partes. Essa é a mais "light" (mentira, de novo). Depois melhora, prometo.


Primeira dica:  Pare de querer demonstrar que está super feliz o tempo todo.

   Tá, já ouvi que sou chata, depressiva e pessimista incorrigível, mas não tem nada mais irritante do que gente que parece que vive num comercial de margarina.
   Aquele tipo de gente que fala com um sorriso fixo, parecendo botox de tão forçado. Que acredita em "good vibes", que posta mensagens de Augusto Cury no Facebook! Que, quando você fala como um adulto normal e estressado, rebate com frases holísticas do tipo: "isso são energias negativas".

   Gente que posta foto no chá de bebê da amiga marcando a "betinha, fatinha, clarinha, amo estar com vocês, esse dia foi tudo". Gente que "instagramiza" o almoço com o marido entediado dizendo que "o amor nunca envelhece, está sempre nascendo". Gente que posta uma foto borrada de ultrassom, daí todas as colegas do trabalho vão lá dar os parabéns pela "sementinha". Gente que tem um cachorrinho fofo que apronta todas. Gente que acha o máximo espalhar pra todo mundo que gastou trinta mil reais num bufê de casamento, que flagrou o noivo botando chifre com a prima dentuça, mas agora tá tudo bem, porque vai realizar o maior sonho da vida que é subir no altar. Enfim, gente que parece que vive num efeito de prozac eterno, sem limites.

   Parem agora! Parem já com essa mania que fingir que estão felizes o tempo todo, ok? Será que não dá pra viver sem espetacularizar a própria existência? Sem transformar a vida num romance barato de banca de revista? Gente assim "Freak me out" de verdade, porque gente assim não faz a menor ideia que um dia pode ter problema de vesícula. Gente assim não precisa de transplante, gente assim acha que câncer é coisa da novela das oito ou de romance best seller adaptado pro cinema.

   Gente assim, quando leva uma rasteira da realidade, enlouquece.

   Não sei o que acontece comigo, mas não consigo entender como alguém passa a vida toda sem perceber a própria insignificância. Que é um fruto do acaso. Sejam tristes, seus imbecis! Um pouco de tristeza ajuda a viver, ajuda a aguentar os baques dessa vida maluca, nesse universo caótico. Tristeza (pode substituir por melancolia ou reflexão, se preferir) traz sabedoria. Ninguém que fez algo importante nesse mundo andava por aí, esfregando  futilidade e felicidade na cara dos outros. Ter consciência real de si e da própria finitude é libertador, te faz correr atrás de sonhos impossíveis e não atrás da última liquidação de cama/mesa e banho. Um pouco de tristeza... só um pouco. Experimentem.