O constante tédio das mudanças (Oi 2013)

"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..." Mario Quintana

2013 e eu tô de volta! Legal, né?
        Ok. Não tô esperando resposta, não deve ter sobrado uma pobre alma que ainda frequente isso aqui. Mas, falar sozinha sempre foi um dos meus passatempos (desnecessários) favoritos... Anyway...

       Na verdade esse retorno inesperado tá se tornando tradição nos meus Reivellons. Mesmo sem escrever nada, sempre dou uma passada por aqui nos primeiros dias do ano, ou quando tento lembrar de quem eu era, ou quando tô feliz e quero zombar de mim mesma, ou quando bate aquela vontade deliciosa de pular da janela...

      Enfim, esse blog se tornou uma ótima "constante".

      Daí, ao pensar nisso vieram à tona as elucubrações bobinhas (porém, constantes, há!) que ecoam dentro da minha cabecinha confusa: Ano-novo (aniversário chegando, no meu caso) todo mundo do Facebook me tagueando naqueles discursos de renovação, vida nova, novo tempo... e meu amigo imaginário (lembram dele?) me questionando o tempo todo: "Moça, por que você ainda não entrou nesse clima de fazer promessas de renovação para 2013? Justo você que é incondicionalmente apaixonada por mudanças e renovação?"

      Olhando ao redor, acabei percebendo que não sou (era?) a única. O ser humano adora essa coisa de renovar/recomeçar... É uma febre, acho que foi o Drummond quem falou que o conceito de "ano-novo" é genial. 365 dias é tempo suficiente pra você encher o saco. Daí começa tudo de novo... E a esperança, que é o que dá todo o sentido a esse lance desnecessário chamado vida, ganha mais combustível.

      O que ninguém percebe é que as mudanças são, paradoxalmente, constantes nas nossas vidas.

      Todo dia muda alguma coisa no mundo e em você mesmo. Ontem eu acordei, aprendi a fazer um prato novo (mudança radical pra uma pessoa que mal consegue fazer um miojo decente), conheci gente nova e provavelmente engordei uns dois quilos... Experimente fazer isso todos os dias... Pare para perceber o quanto você mudou da hora que acordou até a hora que "apagou"... Talvez essa obsessão por coisas novas comece a ser menos interessante do que parece.

     Claro que as alterações cotidianas não são nada comparadas às "grandes" mudanças que todos almejam: Ganhar na Mega, ter um emprego melhor, saúde de ferro, casamento, a viagem dos sonhos, ser uma pessoa melhor... Ok, por um minuto, feche os olhos e imagine que você conseguiu TUDO que desejou pra 2013... Êêêh, legal... Mas, e agora? O que vem depois?... Novos desejos e novas mudanças... Sim, porque, inevitavelmente tudo tende ao tédio.

     Portanto, depois de tantos réveillons, de tantas mudanças, e de tantas renovações... Cheguei a (não tão brilhante) conclusão que a beleza está nas coisas "constantes" em nossas vidas. Vir aqui no blog, ver que ele ainda existe, por exemplo. Ver que apesar dos anos, apesar da anestesia da vida moderna, meu desejo e a curiosidade sobre idiossicrasias do ser humano ainda permanece. Ver que, mesmo que tudo mude, eu ainda vou ter meus livrinhos, filminhos e musiquinhas favoritas imutáveis... Ver que alguns amigos ainda estão por perto... Tá me parecendo mais agradável do que qualquer uma dessas mudanças que o pessoal tá pregando por aí.

      Então, caro (e paciente!) leitor, desejo que em 2013 sua essência e as coisas que ama permaneçam e sejam uma constante em sua vida. Pode até ser que você consiga todas as coisas que desejou (ou não, vai saber, a graça tá no mistério, mesmo) mas, caso dê tudo errado, pelo menos você vai ter algo realmente sólido pra se apegar.
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Hum... Tá, o layout do blog é novo. Mas a dona (ainda) é a mesma. (Eu acho...)