Elitismo clichê



Comentário feito por Luci Correia numa comunidade:

"achei legal a definição da palavra "cliché (assim, com acento agudo pra ficar com toque francês, é "trés chic") . Aliás, francês virou clichê, né? Ser underground virou clichê também... Até discutir o que é clichê, é super-clichê."

Pensamento de Luci após o comentário: "Hummm, interessante, isso renderia até um post no blog".

E aqui estamos.

Mas esse assunto: "o que é clichê ou não" é bem massante na realidade. Não entendo essa lógica: Você gosta mesmo de uma coisa (aqui leia-se: Música, livros e discos, principalmente) mas se populariza, se caí no gosto do povão, deixa de ser especial só por causa disso?

Mania elitista mais idiota...Coisa de pseudointelectual pedante.

Tenho mania de colecionar gostos e hábitos clichês e não me sinto totalmente "inculta" só por causa disso.

Perdas e Danos.



Okey, vou logo falando que eu NÃO assisti "O passado", portanto esse não é mais um daqueles posts sobre cinema (Tema que eu adoro, não nego, e falarei sempre que puder). Na verdade eu TENTEI assistir ao filme e não consegui.

É que eu tenho um sério problema com Downloads.
Todo mundo me fala: "Comprar, alugar? Tá louca? Vai lá e baixa, né? Muito mais prático e econômico." De fato... Só que os Downloads insistem eu implicar comigo. É um tal de "link quebrado", filme errado, legenda atrasada, dublagem em neo-aramaico sem legendas (Ou em qualquer outro idioma indecifrável)... tentei mesmo, mas não rolou. E obviamente estou me recusando a passar em alguma "Blockbuster/Lok/Game" locadora da vida. (Sim, isso é uma anti-propaganda, Só não fui ainda porque o preço da locação por lá, tá pela hora da morte!). Pirata, então, nem pensar... Não que eu seja totalmente contra, mas acho que nem tem a cópia pirata desse filme à venda. Sei lá, prefiro acreditar que os filmes do "Gaelzinho" ainda não estão na lista dos mais procurados do camelô, é banalização demais pro meu coração... Enfim...

Ainda bem que existem os e-books, só assim me senti menos frustrada, lendo o livro que deu origem ao filme. Ainda não terminei, mas já virei fã.

Pelo pouco que li e vi, deu pra notar que a trama trata de um assunto interessante: Perdas. Principalmente sobre o fato de que pessoas não sabem perder. E nem sequer se dão conta disso.

Pessoas têm mania de final feliz. Tudo tem que ser lindo como na novela, tudo tem que ser de acordo com o idealizado, todas as histórias de amor precisam ter um Happy End, senão nunca foi amor (Será mesmo?). Se o acaso proporcionar algo diferente disso, tudo desmorona. O caso de Ramini e Sofia (personagens) é tão real que incomoda (Tirando alguns exageros no decorrer da história) o básico possivelmente já aconteceu ou acontecerá com qualquer um: O relacionamento era tão perfeito que paradoxalmente precisava de um momento de separação. E aí vem o desespero. O medo de perder, uma estranha competição que existe entre as pessoas, em que é completamente inaceitável o fato perder o seu "objeto" de afeto pra outras pessoas. Vem a raiva e o rancor, a capacidade de se fazer o pior para uma pessoa que supostamente se ama. E não é apenas esse aspecto que é abordado na história, mas também outros tipos de perdas, como a morte, por exemplo. A vida do personagem Ramini vai desmoronando, não apenas porque ele não sabe lidar com a perda e o desejo doentio de Sofia, mas também porque ele não sabe lidar com a morte ou separação de outras parceiras. E a história vai se repetindo. Algo simples, mas que os dois personagens não percebem (Como a maioria das pessoas). Na vida existem perdas, irreversíveis, e que em algum momento é preciso saber perder.

Trazendo pra vida real: O caso daquela garota sequestrada e morta pelo namorado em SP (Precisa dizer o nome? Foi tão explorado pela mídia que melhor mesmo é nem comentar muito) Na outra semana, a mesma coisa acontecendo em uma cidade no Nordeste, um outro caso em que uma moça passou horas com um revólver apontado na cebeça, no meio da Avenida Paulista, ameaçando se matar caso o namorado não voltasse pra ela... Tantos outros... Ou seja, isso é um fato: As pessoas não sabem perder. Não sabem mesmo.

Tá, falei que isso não era um post sobre cinema, mas ficam aqui umas sugestões:



Outro filme que trata do mesmo tema, mas de maneira lúdica e divertidíssima é "A pequena Miss Sunshine". Depois desse virei "perdedora" convicta, assumida. Passei a achar que existe até uma certa "beleza" em ser perdedor. Sério mesmo, só assistindo pra enterder a sacada.



Closer e Brilho eterno também já estão mais do que batidos, então a outra sugestão é um que loquei ("buáááá" - Onomatopéia para meu bolso chorando) essa semana: "Desejo e Reparação". Na verdade eu odeio a Keira Knightley, e odeios esses filmes de época com nomes duplos que ela sempre faz (Tipo: Orgulho e Preconceito), mas "Reparação" (Nome do livro que deu origem ao filme) é diferente. Uma garotinha rouba a cena. Ao ver seu amor platônico nos braços da irmã, ela comete um ato sem pensar. (Provocado, mais uma vez, pelo ciumes e por não saber perder) esse ato, por sua vez, provoca uma reação em cadeia que vai mudar totalmente a vida dela e dos outros dois. E por causa disso, a garotinha vai passar o resto da vida tentando reparar o que fez.

Ou seja, depois de tanta reflexão, agora aprendi: eu me rendo! EU PERDI pros downloads mal feitos! hehehehe, agora só me resta mesmo passar em alguma locadora, meter a mão no bolso e pegar logo esse filme de uma vez, a vida é assim, né? Fazer o quê?

:D