Terças e quintas.




A vida devia ser tipo "Quero ser John Malkovich".
Seria tão bom se existissem prédios com meio-andares e passagens que nos levassem à outra dimensão de realidade, ao cérebro de outra pessoa. Um buraco de minhoca pra gente ver tudo por outras perspectivas. Porque a vida é o mesmo game de estratégia em primeira pessoa. Uma mesma câmera subjetiva. E isso cansa!

Ou tipo esses filmes idiotas de sessão da tarde com a premissa de troca de corpos: Sexta-feira muito louca, E se eu fosse você, Garota Veneno... Se tem uma coisa que aprendi depois da vida acadêmica e intelectual, depois dos 30, depois de longos relacionamentos e depois de "tentar de de novo" um bilhão de vezes é: O mundo não está errado, eu é que tô cansada de mim mesma.

Acho bem natural entediar-se de si mesma depois de tanto tempo de convivência. Se com outros relacionamentos isso acontece, imagina o peso de se relacionar consigo mesma pro resto da vida?

A mesma voz, a mesma cara, o mesmo corpo, mesmas obrigações...
A mesma coisa de existir todos os dias.
Tem dias que a gente não quer lidar com essa rotina cansativa de existir, de ser quem se é.
Tipo, não tô falando de uma coisa definitiva, como um suicídio.
Existir é quase sempre legal. Quase.
deus, se VOCÊ existir, por favor, na próxima crie um mundo em que a gente tenha a opção de escolher? Pode ser?
Por mim tava tranquilo só existir nas terças e quintas.

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