10-01-16

Hoje foi o dia que morreu o Bowie.
Hoje também tinha um gato preto morto na entrada do prédio.
Hoje o dia tá quente.
Hoje tem cobranças e contas a pagar.
Hoje o chefe, o trabalho, as pessoas e suas vaidades continuam do jeito que sempre foram.
Hoje tenho que agendar a consulta médica e aguardar minha vez.
Hoje usaria a blusa do Aladdin Sane, mas manchou de água sanitária.

Hoje tá com a mesma cara de ontem, e a mesma do amanhã. Manhã-tarde-noite. Quente, horário, trabalho, estudo, trânsito, obrigação, pendência. Aquela ligação pra fazer. O Networking. Novo emprego pra achar. Novos clientes. Os pratos pra lavar. O programa de exercícios. O babaca do 304 ouvindo Jorge Vercilo. Pra piorar hoje é segunda. Hoje é dia da maldita ressaca.

Hoje tá insuportavelmente igual. Exceto por alguns detalhes.
O gosto ruim na boca, a garganta seca e aquela sensação de que a vida:
A minha, a sua, a do chefe, a do babaca do 304, a do Bowie, a do gato preto, a do Jorge Vercilo...
A tal vida... se resume a essa entediante sucessão de dias iguais ao de hoje.
E tudo isso não faz o menor sentido.

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