De novo, e de novo, e de novo...

Único voto pra mim e pra todo mundo que vale a pena nesse mundo, serve pra dois mil e quatorze, e quinze, e dezesseis, dezessete...
Que os sonhos nunca nos abandonem. Viver plenamente é ter a capacidade de sonhar.
"
Somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos"

Boa noite, bom ano, boa vida.


No escurinho do armário

Esse é um post sobre sexualidade, mas antes, vamos falar de um tópico interligado:
Vamos falar de segredos.

Eu tenho, você tem, todos tem.
Amo meus segredos, são só meus, de mais ninguém.
Ninguém quer saber deles, e eles vivem dentro de mim quietinhos, me fazem rir, me divertem, e às vezes até me inspiram...
Não tenho vergonha dos meus segredos, que só são segredos porque - só assim - são mais interessantes, se deixarem de ser segredos, não vai fazer nenhuma diferença... O mundo não vai mudar.
Se alguém descobrir meus segredinhos, no máximo vai me olhar com cara de tédio e dizer:
"Grande coisa, qual é a graça?"
Mas eu sou assim. Um tédio. E gosto de ser.
Porém o mais importante é:  Meus segredos não precisam de outras pessoas para serem mantidos a qualquer custo. Não prejudicam ninguém.

Toda essa metáfora foi pra ilustrar um mal moderno, que acomete várias pessoas com as quais eu convivi e convivo atualmente, gente que vive de aparências, de status, do que a sociedade vai pensar. Gente que tem medo de se libertar, de se entregar...

Portanto, vou falar abertamente o que não é segredo pra ninguém: Amo meus amigos gays, bi, homo, hetero, pansexuais e acho que cada um faz/ama/dá/sente/beija/chupa/morde/entrega/agarra o que quiser... nada é ruim, nada é censurável, nada é proibido, nada é nojento...

Só o preconceito é proibido. Censurável, e acima de tudo: Nojento.
E pior que o preconceito com o outro é o preconceito com si mesmo.

Não sou gay, assim como não sou ruiva ou negra, Se eu tivesse nascido negra, seria negra. Se eu tivesse nascido gay, seria gay, mas não sou. Ser gay NÃO é uma escolha. Porque apesar de todas as campanhas e movimentos em prol da causa, ainda é tão complicado ser e assumir-se gay, que se fosse algo controlável, como apertar um botão "liga e desliga", ninguém escolheria viver o preconceito desse nosso mundo hipócrita. É preciso ter orgulho e confiança em si, pra sair do armário, sem dar a mínima pro lixo do ser humano "médio" que insiste em julgar... (ainda é preciso, infelizmente).

Amo todos gays assumidíssimos desse nosso mundo um pouco mais moderno... Mas, o que não consigo suportar é gente gay que prefere viver no escuro quentinho do armário, o tal do enrustido-praticante, mentindo pra si e pra sociedade e que insistem em relacionamentos com o sexo oposto achando que vão se "acostumar", achando que precisam "se adaptar". ISSO SIM É UMA ESCOLHA - péssima, por sinal - pra família e, acima de tudo, pras mulheres com quem alguns desses sujeitos resolvem se envolver para manter a farsa. Mulheres estas, que se apaixonam, sem ter ideia que são apenas um artefato, um objeto pra ser ostentado, um sustentáculo de uma mentira egoísta.

E não, isso não tem nada a ver com ser gay, tem a ver com ser sacana mesmo.
E sim, eu acho nojento, tenho preconceito e graças a esse texto, isso agora deixou de ser segredo.

Me processem.

O limite do amor próprio.

















O mal do mundo é o tal do narcisismo.

Duvida? Pode conferir:

Nem todo chato é narcisista, mas todo narcisista é chato;
Nem todo cafajeste é narcisista, mas todo narcisista é cafajeste;
Nem todo carente é narcisista, mas todo narcisista é carente;
Nem todo mentiroso é narcisista, mas todo narcisista é mentiroso;
Nem todo egoísta é narcisista, mas todo narcisista é egoísta...

E por aí vai.

Todo narcisista merece um puxa-saco, e todo puxa-saco precisa de um narcisista.
dentre os dois, não sei quem é o pior.
Talvez o narcisista, uma vez que sem ele, o puxa-saco perde sua utilidade.
Já um bom narcisista, aquele patológico, muitas vezes continua se superestimando mesmo sem nenhum bajulador por perto, ele mesmo se basta nos seus devaneios de grandeza.

Pior que um único narcisista, só mesmo uma sociedade narcísica, como a nossa. Uma infinidade de adultos bebês chorões, berrando por atenção nas redes sociais, nas filas do banco, nos aeroportos, nos restaurantes... Porque todo mundo é importante demais pra não ser tratado como "cliente especial", todo mundo é único demais pra esperar calmamente a sua vez, sem precisar reclamar.
Líderes narcisistas são sempre os piores, até personagens religiosos e mitológicos, desta estirpe, também são execráveis:

Luis XIV, Napoleão, Hitler, Bush, Caim, Lúcifer e até o próprio Narciso...

E o que é um psicopata, senão um narcisista quando em primeira instância?

Claro que é bom ter amor próprio, mas como tudo que é sensato nessa vida, até autoestima tem limites.

Ou seja, caro leitor, se você é chegado num relacionamento sério com seu superego defeituoso, favor mantenha à distância.

Grata. Passar bem.

Teste

Para saber mais

Vício da verdade

Um transtorno compulsivo neurótico de querer exigir que as pessoas admitam pra você coisas que elas não confessam nem pra si mesmas.

Freud me entenderia.

Menina.

Existiu uma menina, certa vez.
A menina era a filha única das cobranças, não é a toa que cresceu se achando culpada dos males do mundo.
Tinha que ser a mais estudiosa, a mais atenta, a mais arrumada, a mais educada, a mais magra, a mais organizada, a mais esperta... E só assim as pessoas gostariam dela, Só assim ela não sofreria mais. Ou sofreria menos. Teria amigos, no futuro: um bom marido e quem sabe filhos. 

Nunca mais se sentiria só. 

Ela seguiu a cartilha quando cresceu, e mesmo assim, levou alguns tombos e rasteiras. Sofreu e chorou, se magoou, se cortou e gritou. Até que cansou, e dormiu.
No meio do sonho descobriu que não era nada daquilo que tentara ser, mas isso não importava, porque também não era mais a culpada. De nada adiantava tentar mostrar todas as cores, todas as paisagens, todos os sons e todas as sensações, quanto os outros não sabem distinguir. Não precisava mais se importar, estava livre. preenchida em si mesma.

Nunca mais sentiu-se só.

Elas.




Finalmente, depois de adquirir - com o bolso doendo até agora - uma versão linda, bem traduzida e decente de Mrs Dalloway, aqui vai uma lista mental de personagens mulheres encantadoras da literatura, que já fui /quero ser / hei de ser / me identifiquei.

1 - Personagens de livros de fantasia não entram na lista, gosto de alguns, mas, não sou fã incondicional do gênero, então esqueçam a Éowyn, Hermione e as moças do Game of Thrones, que entram em outra lista.

2 - Vou ficar devendo a Emma Bovary, porque sempre coloco o Flaubert na lista dos "tenho que ler" e sempre esqueço (me julguem).

3 - Apesar do meu nome verdadeiro ser de uma heroína da literatura (Lucíola), não curto os livros do José de Alencar, só um, que tá na lista:


Elizabeth Bennet (Orgulho e Preconceito - Jane Austen)
Lux Lisbon (As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides)
Cecilia Lisbon (As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides)
Clarissa Dalloway (Mrs Dalloway - Virginia Woolf)
Catherine Earnshaw (O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë)
Macabéa (A Hora da Estrela - Clarice Lispector)
Medeia (Medeia - Eurípedes)
Anna Karenina (Anna Kerenina - Tolstói)
Lolita (Lolita - Vladimir Nabokov)
Capitu (Dom Casmurro - Machado de Assis)
Briony Tallis (Reparação - Ian McEwan)
Catarina (Ps.: só na fase megera. A Megera Domada - Willian Shakespeare)
"Menina adolescente" (Ps.: Ela não tem nome. A Cor do Azul - Jane Tutikian)
Marília (Lília) (A Ladeira da Saudade - Ganymedes José)
Carrie (Carrie, A Estranha - Stephen King)
Irina McGovern (O Mundo Pós-Aniversário - Lionel Shriver)
Eva Katchadourian (Precisamos Falar Sobre o Kevin - Lionel Shriver)
Julieta Capuleto (Romeu e Julieta - Willian Shakespeare)
Julieta (Pessoas Como Nós - Margarida Rebelo Pinto)
Aurélia Camargo (Senhora - José de Alencar)
Teresa (A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera)


Pra quem não conhece essas adoráveis criaturas, tá recomendadíssima a leitura. São tão "vivas" que transpassaram as páginas e se transformaram em pessoas reais, em algumas, vejo muito de mim mesma, inclusive.

Pensando numa lista de "personagens masculinos da literatura, por quem já me apaixonei" Mas, fica pra próxima (Hello, mr. Darcy!).


Passiva - Agressiva.
O jeito mais doce e charmoso de encarar a vida.
Experimentem.




Feitiço contra o feiticeiro

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Transforme o sapo num príncipe e depois não reclame se ele transformar sua morada num pântano pra afundar sua dignidade.


Epifanias num dia de Finados.

Simples e direta, já que hoje é feriado de finados, não podia ser diferente.

A mais temerosa e libertadora verdade de nossas vidas é uma só:
Vamos todos morrer mesmo.

Sentiu vergonha, sentiu apego, sentiu angústia, sentiu solidão, sentiu tédio?
Vamos todos morrer mesmo.

Nenhuma felicidade é eterna, assim como nenhum sofrimento.
É assustador, entretanto a outra face da moeda, é que livramo-nos de toda e qualquer amarra ao abraçar-mos essa verdade:
Vamos todos morrer mesmo.

Levando em consideração essa sentença, todo apego se faz desnecessário.
Sendo assim, o título desse blog não poderia ser diferente.

Boa noite.
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Aquela idade triste em que a gente descobre que a dissimulação disfarçada de gentileza é o grande segredo dos relacionamentos felizes.

Dicas para seres humanos. (Segunda Parte)



   Tá, o post passado ficou rabugento, verdadeiro, porém rabugento. Então, esse segundo é mais um complemento do anterior, um convite pra você parar um instante e sair um pouco de si mesmo.


Segunda Dica:  Ponha na cabeça, de uma vez por todas, que você não é o centro de tudo.

   O mal deste século é o egoísmo. Todo mundo acha que o mundo funciona para si mesmo. Seu discurso é o melhor, seu gosto musical é inquestionável, suas manias, seus desejos, suas expectativas, seu passado, seu futuro... Se a fila demora é só pra te atrasar, se escuta algum cochicho, estão falando de você. Você se acha importante demais pra ser barrado na porta de segurança do banco ou  no detector de metais do aeroporto; sua arte é mais bonita, a chuva veio só pra te molhar... E todos te invejam; e todos te amam; e todos te odeiam. 

   Nas Redes Sociais, é uma autopromoção descontrolada, pessoal tem mania de perseguição misturada a uma mágoa desmedida de quem não dá a mínima pra suas lamúrias. É aquele tipinho que te ofende, você se chateia, daí ele fica irritado porque você tá chateada. Que audácia sua, afinal ele(a) não fez nada demais! Nunca fazem. O contrário também se aplica:  às vezes você escreve alguma piada, fala alguma coisa, só pra descontrair, daí sempre tem um neurótico achando que aquilo foi indireta.

   Cara, apenas pare por um instante. Tente imaginar que você não está aqui. Que você, sei lá, tá em coma, dormindo, que morreu, que nunca chegou a nascer... Pois bem, a vida continua, o mundo não para de girar quando você fecha os olhos. Por aí, mundo afora, tem gente que sabe que existem outras pessoas diferentes coexistindo e respeitam os outros. Ter essa consciência, hoje em dia, é quase uma dádiva, um achado... Podem conferir. Se você ainda não é assim: Parabéns e não se deixe contaminar, porque egocentrismo é uma praga, que aliena, que deixa todo mundo burro e agressivo, algo mais ou menos na linha dos zumbis do Walking Dead.

Dicas para seres humanos. (Primeira Parte)

   Longe de mim querer saber de tudo (mentira, quanto mais eu souber sobre tudo melhor) Mas, pensei em três dicas essenciais para indivíduos coexistirem nesse planeta, sem serem contaminados pelo vírus da mediocridade. Ficou um post enorme, dividido em três partes. Essa é a mais "light" (mentira, de novo). Depois melhora, prometo.


Primeira dica:  Pare de querer demonstrar que está super feliz o tempo todo.

   Tá, já ouvi que sou chata, depressiva e pessimista incorrigível, mas não tem nada mais irritante do que gente que parece que vive num comercial de margarina.
   Aquele tipo de gente que fala com um sorriso fixo, parecendo botox de tão forçado. Que acredita em "good vibes", que posta mensagens de Augusto Cury no Facebook! Que, quando você fala como um adulto normal e estressado, rebate com frases holísticas do tipo: "isso são energias negativas".

   Gente que posta foto no chá de bebê da amiga marcando a "betinha, fatinha, clarinha, amo estar com vocês, esse dia foi tudo". Gente que "instagramiza" o almoço com o marido entediado dizendo que "o amor nunca envelhece, está sempre nascendo". Gente que posta uma foto borrada de ultrassom, daí todas as colegas do trabalho vão lá dar os parabéns pela "sementinha". Gente que tem um cachorrinho fofo que apronta todas. Gente que acha o máximo espalhar pra todo mundo que gastou trinta mil reais num bufê de casamento, que flagrou o noivo botando chifre com a prima dentuça, mas agora tá tudo bem, porque vai realizar o maior sonho da vida que é subir no altar. Enfim, gente que parece que vive num efeito de prozac eterno, sem limites.

   Parem agora! Parem já com essa mania que fingir que estão felizes o tempo todo, ok? Será que não dá pra viver sem espetacularizar a própria existência? Sem transformar a vida num romance barato de banca de revista? Gente assim "Freak me out" de verdade, porque gente assim não faz a menor ideia que um dia pode ter problema de vesícula. Gente assim não precisa de transplante, gente assim acha que câncer é coisa da novela das oito ou de romance best seller adaptado pro cinema.

   Gente assim, quando leva uma rasteira da realidade, enlouquece.

   Não sei o que acontece comigo, mas não consigo entender como alguém passa a vida toda sem perceber a própria insignificância. Que é um fruto do acaso. Sejam tristes, seus imbecis! Um pouco de tristeza ajuda a viver, ajuda a aguentar os baques dessa vida maluca, nesse universo caótico. Tristeza (pode substituir por melancolia ou reflexão, se preferir) traz sabedoria. Ninguém que fez algo importante nesse mundo andava por aí, esfregando  futilidade e felicidade na cara dos outros. Ter consciência real de si e da própria finitude é libertador, te faz correr atrás de sonhos impossíveis e não atrás da última liquidação de cama/mesa e banho. Um pouco de tristeza... só um pouco. Experimentem. 


Solitude is a bliss






Hoje foi um daqueles dias que chamo de "não-hoje".
Nostalgia sorrateira instalando-se na minha cabeça... Estava lembrando de alguns anos atrás, quando eu acreditava cegamente naquela frase que dizia que: "Se há algum tipo de mágica nesse mundo, ela está na tentativa de compreender e compartilhar algo (de valor) com alguém". Essa era a minha meta, minha maior fantasia. 

   Quando somos mais jovens, encontramos algumas pessoas e fazemos conexões. Tudo é novo e diferente, e por algum motivo, a gente acha que aquilo vai durar ou que vai acontecer outras vezes... Mas, não, não acontece... Somos anestesiados pela vida moderna, pelos delírios do consumo, pela futilidade, pela necessidade de mais e mais contatos por interesse, mais e mais dinheiro, mais e mais status... A impressão que tenho daquelas pessoas que me encantaram há tempos atrás, que compartilharam os tesouros das suas personalidades comigo, é que elas criaram uma espécie de prisão interna e lá trancafiaram suas ideias sobre sonhos, juventude, honestidade, e sobretudo sua sensibilidade... Sobrou uma superfície, uma casca vazia, quase que como robôs mesmo. Quando vou a reuniões de amigos, é isso que vejo: Robôs por todos os lados, com gravações repetindo as mesmas conversas: "O melhor carro é tal, o melhor bebida é tal, a melhor festa foi tal" ou "Você viu que fulana se separou? Você viu que eu consegui uma promoção no trabalho?". São robôs especialistas em inflar o próprio ego, e que usam como combustível a própria vaidade ou fracasso alheio.

    Isso é ser adulto, né? Isso é a vida. Pois bem, trinta anos e ainda não aprendi a viver... continuo procurando a "magia" em outras pessoas. Mas ela não existe mais nos outros. Não temos mais idade pra acreditar em ilusões, nem temos mais tempo pela frente para viver de sonhos. São metas, sempre as metas: Carro, casa própria, emprego fixo, roupas caras, restaurantes, plano de previdência... Essa obsessão tomou conta de todas as pessoas que conheci e que, por ventura, possa vir a conhecer. É a ordem cruel e natural das coisas. Toda vez que, sem querer, deixo escapar da prisão alguns assuntos sobre coisas intangíveis (vida, sonhos, paixão, amor, solidão...) os robôs manifestam estranhamento. Dai, sou obrigada a trancar tudo isso lá dentro de novo e fingir que sou um deles.


   Mas tem um momento, quando me vejo só, que as coisas intangíveis se libertam e ficam pairando no ar, dançando diante dos meu olhos... como se o amor fosse real, como se os sonhos fossem possíveis, como se o espírito apaixonado da juventude estivesse sempre ali, mesmo com o passar dos anos, mesmo na rotina massante dos casamentos, mesmo na velhice... Como se alguém imaginário me apresentasse um mundo cheio de novidades. Daí eu me dou conta que esse alguém imaginário sou eu mesma, na minha solidão... É tão bom. Fantasiar chega a ser algo viciante. E é mesmo... E é daí que surge o problema: A solidão, que antes era minha inimiga, se tornou meu passatempo favorito... Pensando bem, sempre foi, afinal não era eu mesma, sozinha no meu canto como toda filha única,  que tinha essa mania de criar castelos imaginários durante a minha infância?
  
   Se isso é saudável eu não sei. Se é uma fuga, francamente, já não me preocupo. Agora tanto faz... É reconfortante, depois de todos esses anos, saber que eu tenho (sempre tive) a mim mesma, em quem posso confiar e fechar o olhos. Quem sempre vai tentar mudar e me surpreender de alguma forma. Quem nunca vai me julgar por não dar a mínima pra status social. 
Não preciso de mais ninguém dentro do meu apartamento, no meu universo, junto com as minhas fantasias.
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Foto: Jack Riveira (shesjack.com)


Pequenas Freaks


"Doutor (dentro do quarto do hospital, falando com Cecilia, a garota que cortara os pulsos): - O que você está fazendo aqui, querida? Você nem tem idade suficiente pra saber o quanto a vida fica ruim.
Cecilia: - Obviamente, doutor, o senhor nunca foi uma garota de treze anos..."


O trecho acima foi retirado do livro "As Virgens Suicidas" de Jeffrey Eugenides, adaptado para o cinema por Sofia Coppola. Sempre tive um carinho especial pelas irmãs Lisbon do livro. Não por tendências suicidas, mas por rolar uma certa identificação, sobre ter consciência do quanto é difícil ser menina e crescer numa sociedade tão artificial e apegada à aparências, competições e manuais de boas condutas, e o quanto a maioria dos pais "modernos" acham que sempre sabem o que é o melhor pra suas crias. Quando se é mulher, parece que é quase obrigação de algumas mães tomarem conta de todos o aspectos de suas vidas, e o pior de tudo, projetarem os próprios desejos e frustrações nas crianças, como se fossem marionetes, como se as pequenas fossem uma "segunda chance" para a realização dos sonhos dos adultos.

Tive essa pequena epifania ontem, numa das já normais crises de insônia em que fico zapeando inerte em frente à TV. Como toda recém balzaca, tenho mania de assistir o Discovery Home e Health nem que seja pra falar mal. Embora, de vez em quando, até rolem uns programinhas úteis (ah, gosto sim, me julguem!) são as bizarrices que dão audiência. Seguindo essa linha, tem uma série que, toda vez que assisto, me deixa quase que horrorizada, que é o "Pequenas Misses".

Quem não viu, aconselho que dê uma olhadinha pra ter uma ideia do que é exploração infantil disfarçada de  autoestima. O programa foca nas famílias das menininhas participantes de concursos de beleza infantil, que são uma febre nos Estados Unidos. Geralmente, mostra o dia-a-dia de umas quatro participantes, antes, durante e depois do evento. Ao que parece, não existe limite de idade pra entrar nesse circo: No show aparecem bebezinhos de oito meses, de dois anos e vai até os treze ou quatorze. garotas do país todo são "treinadas" pelas mães, ou "profissionais" contratadas, para desfilarem em várias categorias, que incluem: Beleza, carisma (?), roupas de festa, fantasias e trajes de banho (pro deleite dos pedófilos).

Agora, imaginem meninas que mal sabem falar tendo que passar pelos seguintes tratamentos: Maquiagem, laquê, megahair ou apliques com grampos (Quem já botou esse troço, sabe que dói e incomoda bastante), cílios postiços, unhas de porcelana, vestidos com espartilho, depilação de sobrancelhas (!), bronzeamento artificial (!!), e até próteses dentárias para cobrir as janelinhas deixadas pelos dentes de leite (!!!). Como se não bastasse, as candidatas ainda tem que passar por treinamentos exaustivos para decorar passinhos de dança, e aprender a fazer caras e bocas.

É de partir o coração... Elas choram, gritam, se debatem, se estressam, e os pais, o que fazem? Ignoram solenemente. Com o argumento insano de que é pro bem delas, ou que elas vão porque querem, ou que estão juntando o dinheiro dos prêmios para pagar os estudos, ou coisa do tipo (o mesmo argumento usado por algumas estudantes universitárias que trabalham como acompanhantes, à propósito).

Engraçado é que tem sempre um padrão: As mães e avós geralmente são aquelas donas de casa com sobrepeso (nada contra gordinhas, mas nesse caso é um sinalizador da frustração) sem vida própria, sem interesses e sem o mínimo de cultura. Os pais são uns babacas que quando não parecem aqueles "coachs" do futebol americano, apenas obedecem às ordens das esposas, que ficam o tempo todo repetindo pras filhas: "Você tem que vencer, tem que ser a melhor, vamos ganhar esse troféu". Quando não vencem, parece o cenário de uma tragédia. No episódio de ontem, uma menina de 2 anos chamada Brystol bateu a cabeça antes de subir ao palco e ficou com um galo ENORME na testa. Chorou o concurso inteiro, e a única preocupação da mãe foi a má impressão que ela causou aos jurados. Ganhou um trofeuzinho de quinto lugar e quando foi mostrar pra mãe, a desgraçada ainda soltou: "Larga isso, Brystol, ninguém quer um quinto lugar, isso não serve de nada!". Uma outra de uns sete anos foi fantasiada de (pasmem) Júlia Roberts, no filme Uma Linda Mulher... Sou contra a violência, mas juro que se encontrasse com essas mães, ia me controlar pra não enfiar a mão na cara dessas pilantras.

Pra variar, esses concursos estão começando a se popularizar no Brasil também, e por mais que defendam que  a versão daqui é mais light e não permite a "adultização" precoce, fico imaginando o que esse clima constante de competição faz com a cabeça dessas crianças. Essa pressão pra ser "a melhor", "a mais bonita", enquanto inteligência, cultura e criatividade ficam em segundo plano. Bom pros psicólogos: Horas e fortunas com terapias estão por vir... Isso se elas não seguirem o mesmo destino das irmãs Lisbon, do início do texto, afinal, acredito que vai ser difícil pra essas moças terem que lidar com a dura realidade de expectativas inatingíveis e decepções constantes.

Colecionando Luzes


Voltei a levar a sério aquele velho hobby de tirar fotos. (Assim como tô tentando resgatar o velho hábito de escrever também) Quem quiser dar uma olhada tem Fan Page, tem Twitter, e em breve terá Tumblr...

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O constante tédio das mudanças (Oi 2013)

"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..." Mario Quintana

2013 e eu tô de volta! Legal, né?
        Ok. Não tô esperando resposta, não deve ter sobrado uma pobre alma que ainda frequente isso aqui. Mas, falar sozinha sempre foi um dos meus passatempos (desnecessários) favoritos... Anyway...

       Na verdade esse retorno inesperado tá se tornando tradição nos meus Reivellons. Mesmo sem escrever nada, sempre dou uma passada por aqui nos primeiros dias do ano, ou quando tento lembrar de quem eu era, ou quando tô feliz e quero zombar de mim mesma, ou quando bate aquela vontade deliciosa de pular da janela...

      Enfim, esse blog se tornou uma ótima "constante".

      Daí, ao pensar nisso vieram à tona as elucubrações bobinhas (porém, constantes, há!) que ecoam dentro da minha cabecinha confusa: Ano-novo (aniversário chegando, no meu caso) todo mundo do Facebook me tagueando naqueles discursos de renovação, vida nova, novo tempo... e meu amigo imaginário (lembram dele?) me questionando o tempo todo: "Moça, por que você ainda não entrou nesse clima de fazer promessas de renovação para 2013? Justo você que é incondicionalmente apaixonada por mudanças e renovação?"

      Olhando ao redor, acabei percebendo que não sou (era?) a única. O ser humano adora essa coisa de renovar/recomeçar... É uma febre, acho que foi o Drummond quem falou que o conceito de "ano-novo" é genial. 365 dias é tempo suficiente pra você encher o saco. Daí começa tudo de novo... E a esperança, que é o que dá todo o sentido a esse lance desnecessário chamado vida, ganha mais combustível.

      O que ninguém percebe é que as mudanças são, paradoxalmente, constantes nas nossas vidas.

      Todo dia muda alguma coisa no mundo e em você mesmo. Ontem eu acordei, aprendi a fazer um prato novo (mudança radical pra uma pessoa que mal consegue fazer um miojo decente), conheci gente nova e provavelmente engordei uns dois quilos... Experimente fazer isso todos os dias... Pare para perceber o quanto você mudou da hora que acordou até a hora que "apagou"... Talvez essa obsessão por coisas novas comece a ser menos interessante do que parece.

     Claro que as alterações cotidianas não são nada comparadas às "grandes" mudanças que todos almejam: Ganhar na Mega, ter um emprego melhor, saúde de ferro, casamento, a viagem dos sonhos, ser uma pessoa melhor... Ok, por um minuto, feche os olhos e imagine que você conseguiu TUDO que desejou pra 2013... Êêêh, legal... Mas, e agora? O que vem depois?... Novos desejos e novas mudanças... Sim, porque, inevitavelmente tudo tende ao tédio.

     Portanto, depois de tantos réveillons, de tantas mudanças, e de tantas renovações... Cheguei a (não tão brilhante) conclusão que a beleza está nas coisas "constantes" em nossas vidas. Vir aqui no blog, ver que ele ainda existe, por exemplo. Ver que apesar dos anos, apesar da anestesia da vida moderna, meu desejo e a curiosidade sobre idiossicrasias do ser humano ainda permanece. Ver que, mesmo que tudo mude, eu ainda vou ter meus livrinhos, filminhos e musiquinhas favoritas imutáveis... Ver que alguns amigos ainda estão por perto... Tá me parecendo mais agradável do que qualquer uma dessas mudanças que o pessoal tá pregando por aí.

      Então, caro (e paciente!) leitor, desejo que em 2013 sua essência e as coisas que ama permaneçam e sejam uma constante em sua vida. Pode até ser que você consiga todas as coisas que desejou (ou não, vai saber, a graça tá no mistério, mesmo) mas, caso dê tudo errado, pelo menos você vai ter algo realmente sólido pra se apegar.
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Hum... Tá, o layout do blog é novo. Mas a dona (ainda) é a mesma. (Eu acho...)