It's the end of the world (As we know it)




Tive um sonho estranho agora a pouco. Vocês vão achar que eu tô inventando ou que é paranóia, mas foi um sonho bem real. Nele, eu estava na faculdade (a pessoa é tão nerd, que mata as últimas aulas pra ir pra casa dormir, e acaba sonhando com elas... Enfim, continuando...). Sonhei que estava na faculdade e ao entrar na sala, a coordenadora distribuía máscaras e falava sobre as precauções a respeito do vírus da Influenza A H1N1 (Vulgo: gripe suína). Parecia um futuro próximo onde a situação realmente estava crítica, que o vírus tinha sofrido uma mutação, e etc... E os sintomas estavam piores que esses que conhecemos, e que a morte seria praticamente instantânea. Daí um amigo, ao lado, ficava doente na hora, depois outro, depois eu mesma. Todo mundo ia pro hospital, era condenado pelos médicos e ficava de quarentena, só esperando a hora do "pronto, acabou"... Lembro que logo antes de acordar eu estava pensando “poxa, eu achava que o final seria diferente...”. Acordei com a sensação desconfortável de que deve ser mais ou menos isso, o que as pessoas pensam naqueles segundos de consciência antes de partir. Principalmente por uma causa estúpida e repentina.

Não, não sou maníaca depressiva, foi só um sonho, e o engraçado é que eu sou uma dessas pessoas que acha que tá todo mundo exagerando a respeito da gravidade dessa nova epidemia. Mas, é interessante como a realidade nos prega peças. Como essas coisas surgem sem nenhuma explicação aparente... Há uns seis meses atrás ninguém imaginava algo assim, agora não se fala em outra coisa. Eu, que sofro de rinite, provoco pânico na população quando começo com as crises espirro fora de hora (E é bem engraçado, aliás). Mas, surreal mesmo, foi passar no aeroporto recentemente e ouvir aquela mensagem da Infraero, de cinco em cinco minutos “Ao sentir sintomas como: febre, dor de cabeça, dores no corpo (...) procure a Anvisa neste aeroporto”. Daí você olha pras pessoas ao redor e se sente num filme de ficção científica.

Acredito que epidemias funcionam como aquele síndico chato que chega pra acabar com a festa e controlar os abusos. Elas aparecem do nada pra por um basta naquilo que mais gostamos de fazer. Imagino como deve ter sido na época que a AIDS surgiu. Todo mundo fazendo amor livre, estilo Sodoma e Gomorra, daí vem o vírus e diz: “Pronto, acabou”. Agora, com a gripe do momento, tá todo mundo com medo de viajar, de ir para lugares públicos, de falar de pertinho...

Pior que tem gente que fica procurando culpados, que acha que é tudo um esquema de conspiração, que põe a culpa no governo... pensando melhor, existe uma explicação até bastante plausível pra isso: Somos sete bilhões de pessoas no mundo atualmente. O ser humano é, definitivamente, uma praga biológica. E o pior: Que põe em risco todo o sistema em que vive. Segundo a Seleção Natural, quando uma espécie cresce desordenadamente, surge alguma forma de controle, como um predador, por exemplo. Como não temos nenhum predador natural, surgem as epidemias. É quase poético perceber que o predador da espécie mais grandiosa do planeta, é um ínfimo vírus microscópico. simples assim.

Difícil mesmo é a sensação de impotência diante dos perigos reais e da imprevisibilidade do futuro. É disso que a humanindade tem medo, de perder o controle. Por isso fica todo mundo em pânico ao primeiro sinal de ameaça.

Ok, ficou meio catastrófico isso aqui, né? Aliás, hoje eu acordei meio fatalista... Os próximos posts serão mais animadores, prometo (Se existirem os próximos hehe... Pronto, parei!). Tô até começando achar que é verdade aquela história que o mundo vai acabar em 2012. Será?!
.
.
.
Imagem acima é inspirada na peça Esperando Godot, de Samuel Beckett.

Nenhum comentário: